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sexta-feira, 19 de junho de 2026
NOVELA DA GLOBO TRAZ À TONA A SÍNDROME DE AMAR DEMAIS: QUANDO O AMOR DEIXA DE SER SAUDÁVEL E PASSA A GERAR SOFRIMENTO
Dependência
emocional, medo da rejeição e idealização excessiva podem estar por trás de
relacionamentos que causam mais dor do que felicidade
A televisão tem o poder de
provocar reflexões importantes sobre comportamentos que fazem parte da vida
real. É o caso da personagem vivida por Tatá Werneck na nova novela da Globo,
que tem chamado a atenção do público por mergulhar intensamente em cada
relacionamento, criando expectativas rápidas, idealizando parceiros e colocando
o amor como centro absoluto de sua vida.
Embora a abordagem tenha
momentos de humor, especialistas alertam que situações semelhantes podem
esconder questões emocionais profundas e bastante comuns.
O
amor patológico, popularmente conhecido como "síndrome de amar
demais", é uma forma de se relacionar que pode levar a sofrimento,
frustração e perda da própria identidade. Segundo a psiquiatra Dra. Maria
Fernanda Caliani, o amor saudável é diferente da dependência emocional.
"Amar é uma
experiência natural e positiva. O problema surge quando a felicidade, a
autoestima e o sentido da própria vida passam a depender exclusivamente da
presença ou da aprovação de outra pessoa. Nesses casos, o relacionamento deixa
de ser uma escolha e passa a ser uma necessidade emocional", explica a
psiquiatra.
QUANDO O AMOR DEIXA DE SER
SAUDÁVEL
• Medo excessivo de ficar
sozinha;
• Sofrimento intenso diante
de rejeições ou términos;
• Necessidade constante de
contato e validação;
• Idealização rápida de
parceiros;
• Ciúme excessivo e
insegurança;
• Dificuldade de
estabelecer limites;
• Permanência em
relacionamentos prejudiciais por medo do abandono;
• Sensação de vazio quando
não se está vivendo um relacionamento.
Para a especialista, esses
padrões muitas vezes têm raízes em experiências anteriores.
"Muitas pessoas
carregam feridas emocionais relacionadas à rejeição, abandono, baixa autoestima
ou insegurança afetiva. Sem perceber, acabam buscando no outro uma sensação de
preenchimento que deveria vir de dentro", afirma Dra Maria Fernanda.
O PERIGO DE
TRANSFORMAR O AMOR EM SALVAÇÃO
Outro aspecto comum é a
tendência de acreditar que um relacionamento será capaz de resolver todos os
problemas emocionais.
A expectativa de que o
parceiro traga felicidade permanente pode gerar frustração constante e
relacionamentos marcados por cobranças, ansiedade e sofrimento.
"Quando alguém
acredita que só será feliz se estiver ao lado de outra pessoa, cria uma pressão
muito grande sobre o relacionamento. Nenhum parceiro consegue ocupar esse lugar
de salvador emocional", alerta Dra. Maria Fernanda.
REDES SOCIAIS PODEM
INTENSIFICAR O PROBLEMA
Em tempos de redes sociais,
a idealização dos relacionamentos ganhou ainda mais força.
Casais aparentemente
perfeitos, declarações públicas e demonstrações constantes de afeto podem fazer
muitas pessoas acreditarem que o amor verdadeiro precisa ser intenso o tempo
todo.
"A comparação
constante faz com que algumas pessoas sintam que seus relacionamentos nunca são
suficientes. Isso aumenta a ansiedade e reforça a busca por validação
externa", explica a psiquiatra.
AMAR SEM SE
ABANDONAR
Para a especialista, o amor
saudável acontece quando existe troca, respeito e individualidade.
Manter amizades, projetos
pessoais, autonomia e autoestima fortalecida é fundamental para construir
relações equilibradas.
"Relacionamentos saudáveis
são aqueles em que duas pessoas caminham juntas sem abrir mão de quem são. O
amor deve acrescentar à vida, não substituir a própria identidade",
afirma.
QUANDO PROCURAR
AJUDA?
Se os relacionamentos são
marcados por sofrimento recorrente, medo intenso da rejeição, dependência
emocional ou repetição de padrões que causam dor, o acompanhamento psicológico
ou psiquiátrico pode ser um importante caminho para a transformação.
Buscar ajuda não significa
deixar de acreditar no amor. Pelo contrário.
Significa aprender a
construir relações mais conscientes, maduras e saudáveis.
Porque amar é importante.
Mas amar a si mesma continua sendo a base de qualquer relacionamento saudável.
Fonte: Dra. Maria
Fernanda Caliani, psiquiatra.





